Acordeões do Mundo



Mensagem do Diretor

Pensar a cidade como um teatro 

 

 

"Que se pense o Teatro como uma pirâmide infinita, 

como um caminho espiritual. 

Como o resultado de uma vocação, 

como uma missão final." 

 

Adolfo Gutkin 

 

"A necessidade de organizar processos e/ou eventos que sejam espaço de acontecimentos e abertura para os anseios dos cidadãos e promovam a sua transformação está na génese do Festival dos Acordeões. A esse aspeto junta-se a importância de dar voz a uma região que procura as suas identidades nas tradições ligadas ao campo e a uma certa ruralidade a que se contrapõe um espírito e fazer contemporâneo. Nesse sentido, Torres Vedras afirma-se entre Leiria e Lisboa, como um dos centros da região Oeste e procura construir-se enquanto cidade simbólica. Entre as Linhas de Torres, o Carnaval, a gastronomia — onde o vinho ocupa um lugar central, o surf, as atividades culturais e artísticas ocupam de forma crescente um lugar e importância que marca e nos traz uma identidade aberta ao outro. No ano passado, neste mesmo espaço de editorial, interrogava-me sobre o pensar as cidades onde vivemos, no sentido de as tornar espaço de abertura aos cidadãos e aos processos de criação. Como intervir neste momento histórico e contexto social? Onde parece que a história tende a repetir-se, propondo formatos de encontro onde as artes e a cultura sejam forças inclusivas e questionem as inevitáveis tensões geradas pela vida na cidade. Regresso a essas questões, essenciais para construir as relações entre grupos heterogéneos de cidadãos que se encontram e entrecruzam nestes eventos e processos. Cada processo coletivo deste tipo pode ser equiparado a construir uma “pirâmide infinita” que exatamente como numa peça de teatro tem protagonistas e figurantes, cenários e partituras, espectadores, artistas e técnicos. A cidade e os seus espaços são o cenário e os protagonistas os cidadãos. Em 2018 de novo o Festival Internacional de Acordeão propõe além dos concertos tradicionais do festival, atividades que se espalham pela cidade, que se cruzam entre si, misturando públicos.Torres Vedras tem incentivado a inovação e aproveitado os processos criativos que as artes e a cultura promovem para se afirmar como espaço de abertura. Tomou esse caminho como uma vocação e uma missão que a cada ano se propõe como um efeito de renovação e desafio para a cidade e os seus cidadãos. Estes são o foco de cada um destes processos e satisfazer os mais conhecedores e aqueles que agora aqui chegaram é o nosso desafio. Em 2018 de novo aqui estamos e fica aqui o convite à descoberta das atividades em que a participação dos cidadãos é o eixo fundamental. Bom festival para todos!"

 

 

 

João Garcia Miguel