Acordeões do Mundo



Mensagem do Diretor

Pensar a cidade como palco

Laurence Smith, no seu livro "O Mundo em 2050", sugere que a evolução da humanidade na primeira metade deste século XXI encontra-se estreitamente ligada ao desenvolvimento de quatro grandes forças que são: o crescimento da população mundial, que passou de três para sete mil milhões de pessoas em apenas 50 anos; nos constrangimentos ligados às alterações climáticas e à utilização dos recursos existentes; na concentração de grandes massas de população nas cidades, que têm vindo a aumentar gradualmente, tanto em área como em número de pessoas, que terá tendência a aumentar exponencialmente até 2050; a globalização com todas as suas consequências na mobilidade de pessoas e na instabilidade das estruturas económicas e financeiras.

Neste quadro, que é mais ou menos previsível de se manter, como pensar uma cidade no sentido de a tornar um espaço de abertura? Como pensar as artes e a cultura como um espaço e força a desenvolver no seio das cidades, de forma a aliviar algumas das tensões geradas? A necessidade de organizar eventos que sejam espaços de emergência para os anseios dos cidadãos e que permitam a sua transformação está na génese do Festival dos Acordeões. Criámos um espaço de apresentação de um género musical que está profundamente ligado ao património imaterial da cidade e que desperta grande interesse por parte dos cidadãos. Este ano vamos acrescentar um pouco mais à fórmula existente com um concerto de homenagem a um acordeonista com uma carreira muito longa e propomos um baile onde o acordeão e as suas sonoridades e ritmos serão o mote.

Esta é já a 14ª edição do Festival que tem vindo a conquistar adeptos e lugares na cidade, de forma natural, ligando os espaços e as pessoas através de uma sonoridade que nos remete para muitos tempos. O contemporâneo e o tradicional entrecruzados de forma a fazer surgir possibilidades para o futuro. A cidade torna-se um palco que é uma abertura para a transformação social e possibilidade de encontro de diferenças de tempos e de modos, onde as perspetivas dos artistas se cruzam com as memórias dos espectadores.
Sejam bem vindos e participem nesta festa tão característica dos sentires da população de Torres Vedras.

João Garcia Miguel